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Dessa vez estávamos lá... e na hora de tudo acontecer, depois de muito papo e conversa jogada fora...
Finalmente nus de frente um para o outro. Sem filtros ou
pudores... A palavra prevaleceu.
Bebericando vinho e conversando amparados um no outro a
ideia venceu a ação.
Era o auge da complexidade dos 28 anos enviesado a descomplicação
do pós 40...
Seu corpo ali alvo e nú mostrava uma caminhada
interessantíssima a ser conhecida.
Os pés pequenos para uma caminhada longa, seu joelho
cicatrizado mostrava uma deficiência sobressaltada por muletas que ali, naquele
momento se faziam inúteis, nulas.
Foram-se taças de vinho, sorrisos. Eu aprendi sobre
Binarismo e pansexualidade... de maneira tão carinhosa e atenção aos
detalhes... eram tantas passagens de vida...
A maternidade lhe trouxe uma serenidade de quem já chegou ao
limite e sobreviveu.
O piercing brilhava a meia luz intimidando junto a seu rosto
de feições orientais e atenciosos. Em uma e outra caricia, perguntei pelas
tatuagens, e lá vem mais um sem número de histórias pontuando o momento em que
elas chegaram...
Quatro naipes de carta cada um com um elemento para
proteger, 3 estrelas pra dar sorte e lembrar as pessoas importantes e a frase linda
de sua vida termina com o amor em outra língua... o que demonstrava o quanto se
sacrificou por ele...
Aquela conversa se mostrava tão ou mais prazeirosa quanto
qualquer ato físico... ali nós dois, lado a lado, trocando calores numa noite
fria e as histórias, uma mais contagiante que a outra...
Em certo momento foi minha vez, e contei-lhe da minha vida,
das minhas desilusões e ela atenta a tudo como quem se alimenta de palavras...
mais vinho, pelos... ela curtia meus pelos e minha forma corporal, mesmo não
sendo um adônis... a barriga ajuda a descontrair... mais vinho... sem os óculos
a minha miopia desenhava a alma dela na minha mente e a miopia dela me pintava
como minha alma se mostrava ali, naquele momento singelo... no fim o vinho
venceu as ideias e a dormência veio... como ultimo recurso, como se quiséssemos
permanecer ali conversando até o amanhecer, nos abraçamos e num afetuoso beijo,
fomos capturados pelo sono.
O final do relato, eu certamente continuei a saga por entre
palavras no meu sonho... na manhã seguinte ela, tomando café amargo da manhã
confidenciou que também sonhou comigo... então estava consumada aquela noite...
onde a vida superou o ato cotidiano...

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