15 - Onde a vida superou o ato cotidiano...

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Dessa vez estávamos lá... e na hora de tudo acontecer, depois de muito papo e conversa jogada fora...

Finalmente nus de frente um para o outro. Sem filtros ou pudores... A palavra prevaleceu.

Bebericando vinho e conversando amparados um no outro a ideia venceu a ação.

Era o auge da complexidade dos 28 anos enviesado a descomplicação do pós 40...

Seu corpo ali alvo e nú mostrava uma caminhada interessantíssima a ser conhecida.

Os pés pequenos para uma caminhada longa, seu joelho cicatrizado mostrava uma deficiência sobressaltada por muletas que ali, naquele momento se faziam inúteis, nulas.

Foram-se taças de vinho, sorrisos. Eu aprendi sobre Binarismo e pansexualidade... de maneira tão carinhosa e atenção aos detalhes... eram tantas passagens de vida...

A maternidade lhe trouxe uma serenidade de quem já chegou ao limite e sobreviveu.

O piercing brilhava a meia luz intimidando junto a seu rosto de feições orientais e atenciosos. Em uma e outra caricia, perguntei pelas tatuagens, e lá vem mais um sem número de histórias pontuando o momento em que elas chegaram...

Quatro naipes de carta cada um com um elemento para proteger, 3 estrelas pra dar sorte e lembrar as pessoas importantes e a frase linda de sua vida termina com o amor em outra língua... o que demonstrava o quanto se sacrificou por ele...

Aquela conversa se mostrava tão ou mais prazeirosa quanto qualquer ato físico... ali nós dois, lado a lado, trocando calores numa noite fria e as histórias, uma mais contagiante que a outra...

Em certo momento foi minha vez, e contei-lhe da minha vida, das minhas desilusões e ela atenta a tudo como quem se alimenta de palavras... mais vinho, pelos... ela curtia meus pelos e minha forma corporal, mesmo não sendo um adônis... a barriga ajuda a descontrair... mais vinho... sem os óculos a minha miopia desenhava a alma dela na minha mente e a miopia dela me pintava como minha alma se mostrava ali, naquele momento singelo... no fim o vinho venceu as ideias e a dormência veio... como ultimo recurso, como se quiséssemos permanecer ali conversando até o amanhecer, nos abraçamos e num afetuoso beijo, fomos capturados pelo sono.

O final do relato, eu certamente continuei a saga por entre palavras no meu sonho... na manhã seguinte ela, tomando café amargo da manhã confidenciou que também sonhou comigo... então estava consumada aquela noite... onde a vida superou o ato cotidiano...

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