"E assim foi a primeira vez.
Nas mãos de alguém que não sabia ao certo o que fazia.
Numa cama de solteiro. Pequena demais para tudo o que ficou ali.
Meio que por acaso. Meio que sem querer.
Sua idade lhe deu o poder.
E eu, que nada sabia, apenas segui.
Afinal, antes de você, eu não existia.
Foi rápido, confuso.
Sem começo, sem fim.
Deixou-me em suspenso. Sem chão. Sem rumo.
Desde então, repeti os passos uma centena de vezes.
Revisitei caminhos, corrigi falhas, refiz gestos.
Sempre tentando acertar o que nunca poderia ser consertado.
Mas nada apaga o que já foi.
E por todos esses anos, com medo de me perder outra vez,
busquei o controle, me agarrei à certeza,
tracei rotas seguras para não desmoronar.
Mas hoje entendo.
O controle é uma ilusão.
E talvez seja exatamente na entrega, na queda,
onde tudo se torna real.
No fim, aquilo nunca foi sobre mim.
Mas sobre todas que passaram por mim.
E sobre o que, de alguma forma, sempre ficou."
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