Queria rebolar, mas as amarras cravavam-se em sua pele.
Queria sentar, mas as cordas lhe atavam a carne, segurando-a no limbo do prazer e da espera.
As mãos, rendidas pelo aço frio das algemas, ansiavam pelo toque.
E o toque vinha—súbito, múltiplo, sem rosto, sem nome—lábios, línguas, dentes, falos.
Sentia tudo. Via nada.
Cada arrepio lhe incendiava a mente, cada estremecer levava-a além.
Queria morder, gritar, pedir—mas a mordaça engolia sua voz.
Queria guiar o prazer, afundar-se nele, mas os dedos jaziam presos, inúteis.
E mal se sentava quando os espasmos a tomavam—
Açoite quente no torso, ardor na pele, um fogo que a devorava inteira.
Não queria muito. Apenas gozar.
Mas o gozo vinha banhado na aflição da entrega.
Na volúpia de estar à mercê.
E quando rompeu-se em prazer, não havia mais corpo, nem tempo. Apenas êxtase.
Esperaria. Sempre esperaria.
A próxima sessão. Seu dono.
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