Minha mente pulsa nas têmporas. Não há cima ou baixo. Nem esquerda, nem direita. Há apenas o túnel que nos suga de volta ao desejo, ao antes, ao agora.
Ali estamos, como quando éramos namorados. De pé, olhos cravados um no outro.
As roupas somem—não porque as tiramos, mas porque já não fazem sentido.
Tudo é pele, boca, toque, suor.
Não há lógica nos músculos que se contraem, na carne que arde e pulsa.
A vontade vem súbita, toma os corpos. Mas logo se retrai, refém da mente que escraviza, que impõe freios, que prolonga o jogo.
Desejo e negação.
Quase.
Agora.
Ainda não.
O ciclo se repete, tenso, urgente.
O ar livre, cúmplice.
O chão, rude.
Nenhum conforto importa quando o que nos consome é fome.
Não peço mais nada.
Mas te ver saciada me mantém ali, além do cansaço, preso num êxtase sem nome.
E há algo de sublime em dividir essa entrega.
Esse prazer tão íntimo.
Tão nosso.
E de quem mais vier.
Comentários
Postar um comentário