"E QUEM TE DISSE QUE EU ESTOU DE CALCINHA?"
Soou como um chamado. Um atentado ao meu autocontrole.
Já tinha me exibido inteiro para ela.
E ela, rindo, sem pressa:
"Está se aquecendo antes da corrida, gostoso?"
Mas montar em mim daquele jeito, com posse, com insolência...
Quem ela pensa que é?
Ou melhor... quem eu penso que sou para negar?
Aquela frase martelava na minha mente.
Estar sem calcinha tem o mesmo peso de estar sem cueca?
É a certeza da transa inevitável? Ou, em certos casos, obrigatória?
O desejo dela ultrapassava o meu?
Ela já sabia. Desde o começo.
Já estava sem nada, muito antes de eu sacar o pau para fora.
Ela planejou.
E eu? Eu só precisava obedecer.
Fui imperativo:
"Ele é todo seu... faz o que quiser com ele."
Era verdade.
Eu tinha bebido o suficiente para me livrar do controle.
Ela tinha todo o direito de fazer de mim o que bem entendesse.
E então, como num passe de mágica, viramos um.
Nada de shorts.
Só as partes de cima, para manter o jogo do esconde e mostra.
E veio o doce da nossa relação.
Aquela cavalgada de quem sabe.
Sabe quando quer. Quanto quer.
Sabe como quer. E onde tão dentro quer.
A entorpecência me faz sentir mais os "onde tão dentro".
E isso a ajuda no "quanto quer".
Nenhuma necessidade de performance.
Só relaxar e seguir o fluxo.
Como um rio de águas mornas e densas.
A canoa firme entre os veios, deslizando no ritmo da correnteza.
Eu queria amanhecer naquele cheiro.
Seguir naquele incômodo gostoso, prolongar até o cansaço vencer.
Mas algumas escolhas abreviam o clímax.
Minutos que poderiam ser horas.
E então, depois de tanto rebolado, apertos, torções,
de tanto desejo, beijos e canções,
chegamos ao cume.
E nessa hora, não há réu nem culpado.
Apenas o gozo e os corpos estirados.
A preguiça gostosa. A conversa ao pé do ouvido.
O abraço quente. O beijo ambíguo.
Te olho nos olhos e confesso:
Dama, és minha constante. Meu mais amado abrigo.
Pode soar piegas no final, mas sexo e poesia pertencem ao mesmo campo semântico.
Porque no sexo e na poesia, quando as palavras se encaixam... há gozo e alegria.
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