Primeiro, os dedos.
Exploradores ávidos, despetalando a rosa madura, colhendo o néctar quente, invisível.
Mas os dedos são cegos, frios, sem alma.
Nada têm da ternura pulsante de um falo entregue.
Por isso, precisou buscá-lo.
Entre lençóis e tecidos que apenas fingiam esconder o óbvio.
Ele, por sua vez, banhou-se na seiva que brotava, lambendo-a como um gato que bebe leite, sem pressa, sem pudor.
E ela, insatisfeita, tateava em busca do que ainda faltava.
Quando encontrou, não hesitou.
Apertou-o entre os dedos, puxou-o para onde ele deveria estar.
Ali. Dentro.
Olhos nos olhos, silêncios cheios de promessa.
A vontade guiou a próxima estrofe.
Com a outra mão, agarrou a costura do colchão—um porto seguro antes da queda.
O falo, quente e viscoso, roçava os lábios da rosa, ensaiava, tateava, pedia entrada.
Um arrepio a percorreu, da pélvis ao torso, incendiando o bico do seio esquerdo, agora entre os dentes dele, entre beijos, lambidas e mordiscos.
Tudo ali se conectava.
Cada toque, um acorde.
Cada encaixe, uma nota perfeita.
A intensidade aumentava, e o veio entre as pernas sentia a força, a veemência, o atrito do desejo.
Quente,
úmido,
saboroso...
Cada pequeno movimento a fazia revirar os olhos, cada estocada a fazia escalar o ápice.
E ela sabia que estava perto.
Muito perto.
Poucos chegaram lá antes.
Mas os que conseguiram, despertaram o que havia de melhor nela.
E ela não esperaria mais.
Virou-se, arqueou o torso, ofertou-se.
Cada centímetro agora lhe preenchia até o fundo.
Cada saída deixava uma ausência que pedia mais.
Agora sim.
O sexo lhe tocava onde mais importava, desenterrando vontades, sorrisos, gozo.
Agora sim.
O falo lhe resvalava onde o prazer era maior, crescendo, crescendo, crescendo...
Até...
Erupção.
Ainda sentiu a vibração ressoando dentro dela.
Foi quando o prazer lhe inundou quase ao mesmo exato tempo do gozo dele.
O gemido marcou, a jornada estava completa.
E dali em diante, tudo era carícia, suspiros, um beijo carinhoso, lábios contra lábios.
Depois, apenas o silêncio dos corpos colados, desmaiados um no outro, pela noite adentro.
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