Era meio da tarde, e as luzes preguiçosas do sol se infiltravam pela janela entreaberta.
O ar tinha cheiro de chuva distante misturado ao perfume adocicado que exalava da tua pele.
Uma conversa leve, palavras soltas, beijos úmidos na curva do pescoço...
Sussurros e risadas sem sentido.
E lá estava você, nua, imóvel por um instante.
Teu corpo, aos 28, era um convite silencioso,
uma história escrita em pele e suor,
daquelas que se lê sem pressa, passando os dedos em cada página.
Mas nada é tão fácil.
Meu acesso a você foi negado.
Os pulsos amarrados, a corda apertada, a respiração acelerada.
Estava entregue.
Indefeso diante de ti.
E era exatamente isso que me excitava.
Teu hálito quente deslizava pela minha pele.
Tua língua brincava na borda da minha orelha.
Mais beijos...
Pescoço...
Nuca...
Um arrepio subia pela espinha.
Tuas unhas eram lâminas afiadas desenhando caminhos na minha pele.
Ou eram teus dentes?
A fumaça subia ao nosso redor.
E num piscar de olhos, não éramos mais dois corpos,
mas criaturas de luz pulsando em tons fluorescentes.
Ondas roxas e verdes vibravam no espaço entre nossas bocas.
Padrões hipnóticos dançavam em cada toque,
cada lambida, cada suspiro entrecortado.
A realidade ondulava e se dissolvia.
A fumaça saía da tua boca e entrava na minha.
E eu me perdia nesse mergulho transcendental,
afundando na maresia do teu cheiro misturado ao incenso queimando no canto do quarto.
Teus dedos quentes apertavam minha nuca.
Minhas mãos subiam tuas coxas.
Deslizei pela tua pele, senti teu gosto.
Beijei cada centímetro da tua carne até chegar onde tua pulsação me guiava.
Meus lábios tomaram tua seiva.
Minha língua desenhou desejos reprimidos.
Teus gemidos eram ecos coloridos vibrando dentro da minha cabeça.
Tuas coxas me apertaram,
teus dedos se entrelaçaram nos meus cabelos,
e tua respiração se partiu em espasmos,
num gozo prolongado que reverberava como um trovão psicodélico.
No fim, um toque suave na tua nuca,
um encaixe perfeito entre corpos suados.
Ali, envolto no brilho fosforescente da tua pele,
percebi que não precisava ir embora.
Porque estávamos ali e em qualquer lugar ao mesmo tempo.
E porque sabíamos que poderíamos fazer tudo aquilo de novo...
E de novo...
E de novo.
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