19-b

Toda noite era a mesma coisa.

Ele me despia.

Sem carinho, sem preliminar, já chegava se esfregando em mim.

Era constrangedor.

Mas pele na pele faz isso com a gente… aos poucos, eu amolecia e cedia.

Aí ele metia.

Forte. Bruto.

Machucava, às vezes.

Eu gemia. Dependendo do dia, até gostava.

Mas eram raros os dias que eu gostava de verdade.

Não demorava muito, ele gozava.

E eu? Bom… se eu não tivesse tomado remédio, era esperar pra ver o estrago. Parecia lava incandescente dentro de mim!

Olha, os homens não têm como disfarçar, mas se algum dia ele não gozou, eu realmente não notei. Porque toda vez era aquele jato forte e demorado.

Deus me livre!

Aí ele caía duro e dormia.

Sem amorzinho depois.

E eu? Ficava na mão.

Mas aí veio aquele dia.

Começou como sempre.

Mas, dessa vez, fui eu quem pegou a venda.

Cobri os olhos dele.

Ele ficou perdido, coitado. Um homenzarrão sem rumo.

Eu ri.

Depois, amarrei os punhos dele na cabeceira da cama.

Aí ele virou bicho.

Gritou, esperneou.

Como morávamos longe de tudo, sabia que ninguém ouviria.

Ele ficou com medo. Achei que ia acabar ali.

Mas… algo em vê-lo indefeso me excitou.

Passei os dedos na barriga dele.

Ele tremeu.

O cheiro da excitação tomou conta do quarto.

Pela primeira vez, eu mandava no meu prazer.

E no dele.

Acredita que o safado, mesmo apavorado, estava de pau duro?

Juro que vi uma lágrima escapando por baixo da venda.

Aquele homem grande.

Indefeso.

Duro.

Sem poder meter.

Sem me machucar.

Apenas… ali.

Eu não sabia o que fazer.

Às vezes, ia lá, chupava ele um pouco, e voltava pra minha cadeira.

Até que resolvi focar no meu novo brinquedinho.

Já estava molhada. Ele me deixava assim.

Foi estranho no começo. O falo frio de látex.

Mas quando liguei, ele começou a esquentar dentro de mim.

Ou eu esquentei ele.

Dessa vez, eu gemi.

Porque eu controlava.

E enquanto mexia freneticamente, olhava pra ele.

Preso.

Duro.

Perdido.

Gozei.

E…

Gozei de novo.

Empapuçada de tanto gozar, me levantei.

Fui até ele.

Ainda maravilhoso.

Toquei.

O calor. O suor do nervosismo.

Os corações acelerados. O meu e o dele.

Tirei a venda.

Mostrei o brinquedo.

Era grande.

Marrom.

Intimidador.

Ele olhou sem entender nada.

Eu deitei ao lado dele.

E dormi.

Um sono de Branca de Neve realizada.

Acho que soltei ele.

Acho que não.

Sei lá…

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