A natureza dos fatos me mostrou que o caminho sobre nós dois nunca foi tão claro.
No início, éramos invencíveis juntos, mas a força contra o mundo também nos tornou rígidos.
O romantismo do nosso amor fez parecer que estávamos destinados a seguir lado a lado para sempre,
alimentando a confiança como se ela fosse suficiente para nos manter de pé.
Mas a duração desse sentimento não impediu que, aos poucos, os caminhos se tornassem apertados,
as saídas fossem se fechando e o orgulho erguesse muros invisíveis entre nós.
E eu virei um pássaro.
Uma ave de asas cortadas, que cantava cada vez menos, esquecendo o próprio som.
Dentro da gaiola, a liberdade prometida era uma ilusão.
O espaço parecia grande, mas meu voo nunca ia além das grades.
Por muito tempo achei que era o certo, que era amor.
Mas amor não é confinamento.
Amor é vento, é horizonte aberto.
E então compreendi que a felicidade não precisa estar sempre no mesmo lugar.
E que, talvez, a minha estivesse lá fora.
Agora eu voo.
Não para te deixar para trás, mas para encontrar a mim mesma.
E, de longe ou de perto, sempre estarei aqui.
Porque o que realmente importa é sermos testemunhas vivas da vida um do outro.
Comentários
Postar um comentário