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 No começo, seu amor era meu abrigo, um espaço onde eu podia existir sem medo.

Mas com o tempo, percebi que aquele espaço também me limitava.

Você sempre me ofereceu sua confiança, e eu a aceitei.
Por muito tempo, achei que isso bastava,
mas confiança sem liberdade para se expandir vira prisão disfarçada de proteção.

Não percebi quando comecei a falar menos, a sonhar menos.
Nem quando passei a medir minhas vontades pelo que cabia dentro do que construímos juntos.

Você dizia que o que tínhamos era tudo, e eu quis acreditar.
Até o dia em que me perguntei se ainda sabia quem eu era além de nós dois.

Quando finalmente me permiti olhar para fora, entendi que não era sobre te deixar,
nem sobre te esquecer,
mas sobre me encontrar de novo.

E mesmo agora, redescobrindo meus próprios caminhos, sei que o que vivemos não se desfaz.
Apenas se transforma.

Porque não importa onde a vida nos leve,
sempre serei testemunha da sua história, assim como você será da minha.

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