Sabor de Uva
Eu a tinha levado até ali, mas ainda não era o fim. A vertigem do êxtase se avizinhava, próxima o suficiente para ser sentida, distante o bastante para prolongar o desejo.
Ajoelhei-me entre suas coxas, o corpo já umedecido pelo suor do esforço, e então me invadiu um perfume doce, denso, quase sufocante: uva. A camisinha impregnava o ar com esse aroma infantil, artificial, mas o cheiro dela sobrepunha-se a tudo. Uma mistura de sal, pele quente e néctar. Enterrei o rosto ali, faminto, as mãos segurando-lhe os quadris para que não fugisse.
O sabor espalhava-se, do pequeno nó de pele abaixo até a dobra macia dos lábios, que se entreabriam, expondo o centro latejante. Um sino sem som, a pele retesada e pulsante, o badalo rijo que exigia minha boca. Ela estava entregue, entregue a mim, mas com uma doçura impudica, como quem sabe que reina no prazer e permite ser devorada.
Comecei devagar, os lábios roçando o topo inchado, a língua desenhando pequenos círculos, umedecendo a carne que já era pura umidade. Meus dedos a penetraram com hesitação, primeiro um, depois dois, testando o espaço, a resistência, a entrega involuntária. Ela arqueou o corpo, as mãos nos meus cabelos, puxando-me para dentro de sua fome. Meus dedos afundaram ainda mais, a carne se contraindo ao meu toque.
Ela gemeu, um som rouco, arranhado, e quando sua mão me afastou foi apenas para ocupar minha ausência. Seus próprios dedos tomaram meu lugar, e eu aproveitei o espaço para explorar os pequenos vales que antes estavam ocultos, descendo mais, sentindo nela a doçura da uva misturada ao gosto cru do corpo.
O vinho que havíamos bebido preparara o terreno. Agora, o coquetel estava completo.
A montanha-russa atingia seu ápice.
Voltei ao centro da sua fome, chupando com mais força, os gemidos tornando-se espasmos, os espasmos tornando-se um grito quebrado, um grito que morreu na boca e ressurgiu no corpo inteiro. Seu ventre se contorceu, seus músculos tremeram e, então, ela desabou, o peito arfando, os olhos entreabertos e vazios, como quem acaba de tocar o abismo.
A pele dela ainda pulsava contra minha boca, as coxas estremecendo sob meus dedos.
Então, o suspiro final, profundo, satisfeito.
"Eu te amo."
Minha recompensa depois do sacrilégio do prazer.
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