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Menina nova, menina ousada...

Trazia consigo o perfume da tangerina, um aroma cítrico e doce, insolente na sua inocência fingida. O corpo ainda dançava entre a leveza da juventude e as promessas inebriantes da mulher que despontava.

Hesitei, por um instante.

Tomá-la como devia ser tomada, como merecia, como secretamente ansiava... Mas aquele olhar – um desafio, uma afronta delicada – dissolvia qualquer pudor. Era minha agora, e eu era dela, possuído por um desejo avassalador, enredado nas suas carícias, na sua forma descarada de subverter o ritmo dos meus instintos.

Seus dedos traçavam mapas desconhecidos na minha pele, seus beijos tinham a ousadia dos que não temem cair.

Era uma entrega de extremos: voracidade e contemplação. Entre os lençóis, devorava-me como fera, mas consumia-se no seu próprio jogo, tensa e arquejante, como se buscasse o gozo nos abismos do quase, na vertigem do não ainda. Seus olhos se perdiam, seu corpo tremia, e os gemidos que escapavam de sua boca eram lâminas doces que me atravessavam a espinha.

Seus pequenos seios roçavam minha pele áspera, num contraste que me incendiava. Meus músculos, endurecidos pelo prazer, encontravam-se cativos do ritmo que ela impunha – ela sabia o que queria, e eu obedecia.

A sua carne, cor-de-rosa e insaciável, estreitava-se contra mim, faminta, até que, por fim, nos dissolvemos no mesmo espasmo. O mel do nosso enlace escorria, quente, entre os raros pelos que nos separavam.

E quando pensei ter chegado ao limite, ela se ergueu, equilibrando-se sobre mim, o olhar voltado ao teto como se tocasse uma nota invisível – longa, aguda, vibrante, no instante exato em que eu me derramei dentro dela.

E então, o feitiço.

O cheiro de tangerina, o rosto ainda pueril aninhado em meu peito, o apetite feroz de mulher que só aceitava meu sim teso...

Uma armadilha doce da qual eu nunca mais sairia.

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