Esperava no beco, imóvel sob a chuva fina, a noite negra envolvendo tudo como um segredo.
Ela dissera que chegaria em vinte minutos.
O tempo escorria lento, misturando-se ao frio que me trespassava a pele, cada gota um pequeno punhal de vidro. Nenhuma cobertura, apenas paredes e caçambas de lixo fechadas, testemunhas silenciosas da minha inquietação.
Estava prestes a ir embora quando a vi.
A luz escassa desenhou sua silhueta ao longe, o caminhar cadenciado, certeiro. À medida que se aproximava, seus dreadlocks reluziam sob os reflexos molhados da cidade. O rosto, escuro como a noite, trazia uma maquiagem hipnótica – olhos felinos, boca plena, um convite ao abismo.
O couro da jaqueta brilhava sob a chuva, e as gotas escorriam, deslizando até suas coxas grossas.
O som dos saltos ressoava no asfalto encharcado.
Eu soube, então, que aquela noite estaria marcada para sempre no meu corpo.
Quando chegou diante de mim, sorriu – um sorriso que era faca e chama. Não houve palavras, apenas o beijo quente, voraz, que me incendiou por dentro, contrastando com meu corpo enregelado.
Depois, o gesto bruto.
Empurrou-me contra a parede, prendendo-me no estreito entre duas superfícies ásperas. Suas mãos percorreram meu peito, minhas costas, minha cintura, até que, sem hesitação, desabotoou minha calça e deslizou o fecho num único movimento.
Sua mão, quente apesar da umidade, encontrou meu sexo.
Soltei um gemido contido.
Ela sorriu outra vez, maliciosa. Então, abriu a jaqueta.
E estava nua.
A pele negra e úmida resplandecia sob a luz escassa. Com os braços ainda enfiados na peça de couro, começou a despir-me – puxando minha calça até os pés, prendendo meus pulsos na camisa molhada.
Eu era dela. Sem reservas. Sem controle.
Encaixou-se em mim, e o calor do seu corpo dissolveu a frieza da chuva. A febre tomou conta de nós, e a água, agora, não era obstáculo, mas cúmplice – nossos corpos escorregavam um no outro, fluídos e fogo, desejo e pele.
De repente, ergueu uma perna, apoiou-se contra a parede e me devorou.
A gruta quente acolheu-me por inteiro, e o riso dela, abafado pelo prazer, roçou meu pescoço. Mordiscava-me a cada engolida profunda, os músculos internos sugando-me como se me consumisse pouco a pouco.
Meus movimentos eram limitados – a roupa ainda me atava, um refém voluntário. Mas ela reinava. Sabia-se dona do momento e ditava o ritmo, ora lento, ora feroz.
E então girou, mantendo-me dentro, e agora suas costas roçavam meu peito nu.
Rebolava sobre mim, encaixando-se ainda mais fundo, a bunda empinada servindo de altar ao meu prazer. Segurei-a pelos quadris, entrei-lhe mais forte, e os espasmos começaram a tomar conta de nós.
O êxtase chegou como um golpe preciso.
Ela tremeu, arqueou-se, entregando-se inteira ao abismo. Eu a segui – um derramamento febril, prolongado, que nos envolveu num torpor lânguido.
Por um instante, ficamos ali.
Ainda dentro de mim, ainda quente, enquanto sua jaqueta colada à pele protegia suas costas do frio que começava a retornar.
Virou o rosto para mim, segurou meu queixo e me beijou, lenta, ternamente.
Depois, deslizou para longe, desencaixando-se.
Dois passos, um olhar, e ajeitou a jaqueta, escondendo novamente seu corpo divino.
E então, sem pressa, caminhou até desaparecer na noite.
Fiquei ali, desorientado, os músculos ainda reverberando espasmos.
Só então me dei conta de que estava no chão, as roupas desarrumadas, a dignidade espalhada pelo asfalto molhado.
Recompus-me como pude, puxei a camisa pelos pulsos, subi a calça ainda encharcada.
Passei a mão pela barba, sorri, aturdido.
E cambaleei para fora do beco, levando comigo o gosto daquela noite irrepetível.
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