Ao entrar no táxi, soltou um suspiro e, com mãos delicadas, retocou a maquiagem, tentando reorganizar os pensamentos que insistiam em vagar por tudo o que acabara de viver.
O toque firme na cintura, o beijo morno percorrendo o pescoço, a língua desenhando promessas em sua orelha, e aquela voz rouca que lhe atravessava a pele como um sussurro feiticeiro.
Ele soube conduzi-la com paciência e desejo, guiando cada gesto até o momento em que, sem hesitação, ela mesma despiu a própria renda. Não porque ele pediu, mas porque a fez querer. Porque a envolveu no jogo, e, sem perceber, ela se entregou.
Sorriu sozinha ao lembrar do entrelaçar dos corpos, da pele febril contra os lençóis frios, da respiração ofegante marcando o ritmo da madrugada. Não houve pressa. Não houve roteiro. Apenas um encaixe perfeito de vontades, como se os minutos tivessem parado para que aquele instante durasse além do tempo.
Durante o trajeto para casa, recordava-se de cada detalhe. Um homem comum, sem encantos óbvios, mas que, por ter entendido cada oportunidade com maestria, a fez desbravar limites que nunca antes havia ousado atravessar.
Uma noite que poderia ser apenas mais uma. Mas não foi.
Foi a faísca que acendeu um incêndio, a sorte que virou destino, a casualidade transformada em milagre. E esse milagre se multiplicou – em toques, arrepios e gozos incontáveis.
E, quando tudo parecia se encerrar, houve ainda o detalhe final. O cuidado que ampliou a magia.
Mesmo relutante em deixá-la partir, ele chamou um táxi. Não tentou convencê-la a ficar, não fez promessas vazias. Apenas entregou-lhe o número, sem urgência, sem expectativas, apenas com a serenidade de quem sabe que uma noite assim não se apaga facilmente.
E ela, reclinada no banco, o corpo saciado e a alma leve, sentiu-se completa.
Como há muito não se sentia.
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