Era inevitável que o seu brio vacilasse perante tão audaciosa madame. Afinal, todas as donzelas que outrora cortejara terminavam do mesmo modo: rendidas no seu leito, a suplicar-lhe favores carnais.
Mas esta era diferente. Distinguia-se não apenas pela desinibição, mas pela soberba arte de enunciar, com plena consciência, aquilo que as demais apenas ousavam conceber em pensamento – e que, se porventura verbalizassem, fá-lo-iam num rubor febril, sufocando cada sílaba entre os dentes.
Era ela quem traçava os desígnios daquele jogo lascivo, quem ditava o compasso da urgência, quem retesava os anseios até ao último fio de contenção. E, num rompante de desassombro, ordenou-lhe sem titubear:
"Coloca aqui, com cuidado, o teu cajado, para que eu o possa degustar."
Estupefacto com tamanha afronta, ele hesitou. Mas o desejo, astuto e impiedoso, já lhe consumia o discernimento. Sabia bem o que a sua carne ansiava – ainda que a rendição lhe trespassasse o orgulho como uma lâmina afiada...
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